quinta-feira, 16 de junho de 2011





Foi ali que te deixei, em meio memórias, sonhos e retratos teus.
Eles me olham de todos os cantos, em meandros e acusações, sorriem irônicos, choram, esbravejam e pedem desculpas. São sonhos loucos, detalhes displicentes do que fomos nós.

Apreendi seus gostos, vontades e não soube te completar. Me isento da culpa, nem eu me completo, aliás, sou antes completa de defeitos e poucas luzes perduram, minha valência.

Sua gargalhada se torna distante, a saudade por vezes diminui e em outras arde, maltrata. Pego punhados de sal e jogo sobre sobre a cicatriz - você em mim.

Já não há mais a imagem viva de velhos em espreguiçadeiras e netos correndo pelo jardim, não vejo mais as brigas e preocupações, nem as confidências e cuidados. Nos faltou tempero, agora rego sua ausência em minha carência.

Arroz e feijão não me saciam.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nossos caminhos se cruzaram em algum lugar






Em meu cismar e sem presunção queria um pedaço seu revelado ao meu coração. De buscar dados em lembrancas e arquétipos muito não encontrei, apenas sua voz forte e sua certeza.
Meus olhos mergulharam em alegria, o que te percebo é o simples e o fato:

Gestos singelos de amor ao maior Amor.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Lírios florescem em seu sorriso tímido

Eu sou toda perplexa de seu aroma e trejeitos.

Arrumo o travesseiro para te aconchegar,

zelo seus sonhos e desejos para não te apavorar

E te conduzo ao mar dos afetos:


Deite-se, deixe-se aquietar

Há muitos segredos para dividirmos agora.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O olhar entristecido procura algo no horizonte
encontra aturdido uma luz ao longe:
eram chagas fulgurantes, lágrimas pungentes
O amar constante.

Em sua fraqueza errante os olhos já não mais se perderam
sustentaram junto ao peito arfante
as poucas certezas apreendidas

Eram nada mergulhados em preocupações humanas
E tudo nos mistérios misericordiosos.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

De súbito inquietei-me com suas palavras,

Anjo de barba farta, língua afiada e um qual o quê de distinto

Mitológico, mito ou fático?!

Alguns sussurram seu nome outros não querem nem ouví-lo

O fato é que cortou meus sentidos, os aprendidos ainda no jardim de infância,

as palavras são horizontes desconhecidos

Investigo agora o seu reflexo, apoiada em horas da madrugada

Que venham rascunhos afinal


As paredes estão intactas, o mesmo espaço inacabado de sempre

Há pedaços de coisas qualquer em algum canto, rosas despetaladas sobre o sofá

E silêncio. Longos, torturantes espasmos de silêncio e ócio.

O relógio velho da saleta deu mais uns passos e eu passo

Passo certeira na vida, precisando de reforma por vezes, mas tenho refúgio e me respaldo

Um dia faço uma limpeza daquelas, mas não mudo muita coisa, gosto das minhas feridas a mostra, da poeira acumulada sobre o livro, para depois ter recordações e vontades, mas principalmente mato minha sede com a luz que vem de dentro, é dependência, centro e fim,


o sagrado em mim.



domingo, 2 de agosto de 2009

Apenas um convite.

"Uma festa. Badalar de corpos em frenético frenesi. Pílulas, álcool e o que mais vier. A juventude degrada-se em doses duplas de solidão e peversão.
-Garçom, cadê a vodka e a caipifruta?
-Passou da 1 da matina, dane-se em sua bebedeira.
Brindemos ao ócio e ao direito de ser o que quisermos."