
quarta-feira, 1 de junho de 2011
Nossos caminhos se cruzaram em algum lugar

domingo, 13 de fevereiro de 2011
De súbito inquietei-me com suas palavras,
Anjo de barba farta, língua afiada e um qual o quê de distinto
Mitológico, mito ou fático?!
Alguns sussurram seu nome outros não querem nem ouví-lo
O fato é que cortou meus sentidos, os aprendidos ainda no jardim de infância,
as palavras são horizontes desconhecidos
Investigo agora o seu reflexo, apoiada em horas da madrugada
Que venham rascunhos afinal
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Sobre burrice
"Odeio ser burro" dizia entre dentes.
Vejo a burrice daquelas palavras. Me pergunto o que é a burrice afinal? Alienação? Decisões tomadas em horas erradas? Persistência inconsistente?
Os burros são animais tão inteligentes, só empacam um pouco, nunca entendi essa associação.
Olho para ele e só consigo ver um ser humano repleto de funções cognitivas, de mangas arregaçadas e com tanta garra para viver! Analiso sua postura, seu jeito doce de cativar e nada em seu físico me lembra gigantes orelhas, o tom de sua pele não é acinzentado! Pode ser o som... É ele imita sons como ninguém! Dizia que era uma criança solitária.
Imagino esse menino, sozinho, deitado imitando tudo o que ouvia, tudo o que sentia, passeando por todos os cantos do mundo com sua imaginação e sonhando alto. Só encontro talento, força de vontade e simpatia.
É um pai como outros não conseguem compreender, é um artista nato, é um amigo incrível, cadê o burro, então?!
Acabei de descobrir:
Sou burra e sem talento.
As palavras me disseram - as que ouvi.
As comparações me confirmaram - as que fiz.
Simples assim.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Primeira vista era pura futilidade, roupa da moda, cabelos escorridos... Nas aulas de penas umas duas vezes o professor chamou sua atenção, pois segundo ele lixar unhas não fazia ninguém aprender!
Detalhe: entrega de provas. A garota antes leviana e estereotipada tirou SS!!!
Hoje tivemos uma surpresa, o professor trouxe sessenta lixas, umas pretas outras amarelas e distribuiu para a turma, disse que tinha encontrado a solução para aumentar a nota!!!
Vou começar a cuidar mais das unhas pra ver se recompenso meu MM injustificável, a não ser pelas prioridades desmedidas.
Rascunhos (toscos) sobre amoras.
Amora manchou o branco lençol
Escorregou por meus dedos
- Me lembrou minha infância.
**
Cingiu de púrpura meus lábios e a ponta do indicador direito. Meus olhos apreendem os detalhes- bolinhas unidas, minúsculas, em uma só estrutura. " Como uma árvore tão grande pode dar frutos tão pequenos?" indagava eu menina.
A língua reconheceu o gosto, arrepio gostoso pelo corpo: o ouvido temente da palavra NAMORO.
Amor, amora.
Quero namorar com as frutinhas, flertar com os longos galhos da árvore ( progenitores do meu medo de quedas). Foram eles os acolhedores da minha fúria adolescente, dos meus desejos de fugir de casa e da minha primeira paixão - as folhas secaram minha saudade sem medida e a desilusão, sem saída.Hoje são da minha preguiça.
Meus filhos, tenho certeza, virão sem as minhas manchas e descobrirão as suas próprias debaixo da amoreira, desbravarão os sentidos em suas raízes.
A vida em espiral.
Jamais contarei ao pai deles suas desventuras amorosas, ou então assim o farei e morderei na risada o gosto da minha infância. As palavras veementes e alegres do meu pai ainda ecoam: " Kakau, quer amora?! Vou contar pro seu pai que você namora!", depois em pontas de pés, toda envergonhada, tentando alcançar sozinha o fruto mais saboroso era embalada por um timbre macio a cantarolar. " Amora, amorinha, quero uma amora para minha filhinha!"
Espero ainda a sombra, meus filhos, meu pai, vivo!!! Para repetir com os netos as proezas que fez com a filha. Minha espiral progredirá, enquanto isso ensaio um sorriso cálido para a minha árvore preferida.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Bom dia seu José!
Hoje o dia foi de amargar! As rugas já se precipitaram...
Quero acalentar minha preguiça em um lençol de cetim:
escorregar o corpo e pesar no frio toque, mas tô vendo que tá em falta neh?!
Então sai um travesseiro de penas?!
Quero despistar o cansaço com uma noite bem dormida aceito o dia também!
Moço e tem apoio de cabeça?!
É que tô cansada de pescar apoiada no pulso...
Embeba meu tédio em aguá sanitária, é possivel?!
As páginas dos livros estão brancas demais!!!
Minha alma encardida se contorce com o alvo entre as mãos...
O sachê de ânimo já chegou?!
Ótimo, esse virá a calhar!Soma aquele litro de coragem, por favor...?
Isso! Estou quase satisfeita.
Ham?! fala sério! Só amanhã?!Mas não tem como o chefe abrir uma excessão?!
Tá bom então, fazer o que neh?!
Dá pelo menos pra arranjar um pó de guaraná ou um café já pronto?!
Ufa! Ainda bem que terminam os dias!
domingo, 28 de setembro de 2008
Para Ms. Watson ou Sarah Girardi

Nariz arrebitado, saia balonê
Todos param em suas curvas!
Nos ombros os cabelos escorrem:
- Quem os ascendeu?!
Foi o fósforo do desejo.
O tipo de todo homem, digo
Mas ela jamais acredita
Mesmo diante dos fatos.
Nas esquinas invisíveis de Brasília
Sente-se de longe o seu caminhar:
Seus passos abalam o mundo
Feito rosas em seu desabrochar.
Mary Jane, dizem alguns
Em busca de teias.
Algo para se enrolar
Em rubras explanações alusivas.
Entre risos e espasmos
Parece de porcelana:
Nada frágil.
Tão pouco coisa qualquer a detém.
Caso perguntem quem é ela respondo certeira:
- Minha amiga, lógico!
Caminho contigo pequena
Nada tema
pois quando tudo faltar
Sempre haverá crepes
E litros de vodka.
Mas você não precisa disso,
Sua presença esvoaça a neblina.
Foto por Sarah G.
quinta-feira, 18 de setembro de 2008
Black!
Disseram ser mistura de raças ! Talvez por isso tão inteligente! De onde será que veio a mania de comer na frente da TV e sempre sentado, seu bom humor, companheirismo e o saber quando a família ia para chácara afim de descolar uma carona?! Quantas vezes as lágrimas rolavam em minha face e ele apenas deitava-se ao meu lado, colocava uma das patas em meu colo e esperava paciente, depois cutucava umas vezes, levantava, como a dizer: “Vem, levanta também, não é isso que vai te derrubar!”.
Há tantas cenas hilárias para recordar...Mas não há tempo, os trapos velhos envolvem o corpo débil, o túmulo já está aberto e eu me despeço, entre soluços. Ainda ontem circulava a piscina, olhando fixamente em busca de um carinho. Suas barbas brancas escondiam ternura e fervor pela vida, mesmo nos dias mais difíceis, de perna quebrada e tudo, dava-se um jeito para comer bem e beber água da privada ( de certo deve ser melhor do que a da tigela), já sofria reumatismo e afins, mas pulava ligeiro no carro para não ficar sozinho, parecia mais um bezerro em seus quarenta quilos, de puro osso no final.
A morte escolhe o dia e que belo dia fez hoje, o sol se pôs em cor fluorescente e a lua gigante invadiu o céu...Pensou-se em São Francisco de Assis e no mesmo instante três latidos precederam o silencio. Obrigada por esses latidos audíveis pela fala de meu pai... Uma despedida, um suspiro final, um agradecimento, não sei! Contudo, tenho certeza, foram fortes e únicos, dignos de um Black imortal, inesquecível.
A terra cobre a cova e a esperança paira no ar, um dia, não muito longe, reencontrarei esse companheiro fiel, não velho, com 13 anos e cheios de problemas, mas o filhote, bisbilhoteiro e fujão! E o amarei de novo, como no primeiro encontro!
domingo, 14 de setembro de 2008
Bebedeira.
Chegou em casa depois da festa, alterado pelos goles a mais começou a explanar " universo único, universo x universo, universo único, universal, universo único, sonho, ser e você ... e além disso...me sinto crucificado, no sentido que da analogia de pensar do que as pessoas pensam da minha pessoa, em relação do que as pessoas pensam de mim, em analogia do que as pessoas pensam (silêncio)... e até hoje, pensam...”
Já estava meio alta também, confesso, uma boa companhia e umas doses, quando ao invés de sair, vira-se babá de suas irmãs, pode ser a salvação de um sábado ou um completo fim de carreira como concluímos, minha colega primeiro e eu depois em tantas da madrugada...
Mas o fato é, depois da menina ir embora e meu pai me abordar com palavras sem nexo passei a matutar sobre o álcool e seus efeitos. Afinal quem nunca pagou algum “vexa” nessas situações?! No fundo, as palavras do velho são sábias! Estamos o tempo todo preocupados com o que somos para os outros, por sermos feitos para conviver e não para a isolação. Mas nesse universo único até que ponto usamos máscaras?
Bebe- se por tudo! Em comemorações ou como suposto remédio para esquecer estresse, conflitos amorosos ou financeiros, bebe-se com amigos ou sozinho, aonde houver bebida! Há motivos ótimos para se beber... Agüentar bêbados é o melhor, quem é capaz de suportar a conversa de alguém já tonto sem se irritar ?!
Cada um de nós, apresentados a esta droga lícita temos um causo grotesco para contar, mas por quê?! Não sou especialista, mas muitas pessoas são mais verdadeiras bêbadas que sóbrias, perdem um pouco o senso do ridículo e mostram as pérolas que são! O universo do álcool nos transporta para diversos questionamentos de ordem crítica ou vã... e os pequenos detalhes podem ser gigantes, assim como tudo!
Não estou fazendo apologias, de forma alguma! Já pensou o mundo onde as pessoas estivessem bêbedas permanentemente 26 horas por dia?!O estar cheios de álcool é nada além de nós mesmos em extensão mais aguda, nós como punhais, em pulsos e repulsos contínuos contra nós e os outros ou a favor de ambos.
Não há idade ou classe social, há organismos diferentes e porquês diferentes, mas realmente deveríamos levar certas sensações destes dias... as boas por favor! Tirara certas máscaras, não temer o ridículo, aventurar-se para nos descobrir! E isso sóbrios...Engraçado, talvez eu já tenha essas características e por isso sempre fico triste quando bebo, mas mesmo assim, se for beber me chame e não dirija! A gente racha a caminhada ou o táxi caríssimo nessa selva de pedras! xD~
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Quinquilarias
Tentei esboçar palavras em um pedaço qualquer de papel, as letras borrões não se fixaram, sujaram a mão.
Ascendi um cigarro, não sei tragar.
O isqueiro tremia entre os dedos e as chamas consumiam meu olhar, procurei apoio no horizonte afim de repousá-lo, canto algum me acolheu.
Em vão rasguei cartas e perdurei meu silêncio.
O velho baú segreda nossos sonhos, risos e beijos esquecidos.
Não mexa em coisas empoeiradas, caso tenha alergia. Minha alma coça, há feridas em todo o lugar.
Sim,você me fez um filho: o medo (de tudo, até do suicídio).
Menino, não chore, vem logo, fique entre os gritos e palavrões de seu pai.
O vazio paira, meu peito é remendado.
Se preciso de outro? Pago!
Fumo meus sentimentos torpes e escondo o gosto com um vinho vagabundo e alguns entorpecentes.
Uma lágrima cai, a alegria rompeu o acaso, revivi.
**
As cartas, joguei fora, como o amor dado. Há um papel de bala, coisa de adolescente ainda imaturo, guarda tudo. Desde folhas secas, rosas entre livros, poesias sem sentido, pedras do nosso caminho, do quê serviu? Não pude resguardar o gosto do beijo e o calor do abraço.
Ah!Sim! Uma foto resistiu ao fogo: seu sorriso de canto dizia entre dentes, nada adiantará , sempre serei uma sombra no seu passado, algo a se lembrar.
Os anos não apagam magoas, seus gritos pairam no ar.
Por favor, deixo aqui as quinquilharias que restam de nós, leve e dê sumiço! Senão dou ao próximo mendigo, esmolas. Deixe as boas lembranças, seu lado príncipe, do carrasco abro mão!
Acordei com saudades de ti, dormirei e esquecerei.
Certas coisas, graças a Deus, não voltam jamais.
Se serve de consolo, para você sempre haverá a descarga prometida!