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terça-feira, 21 de julho de 2009

Um sopro nas teias de aranha.

A vida brota de certas veias malignas, tudo o que o homem toca, corrói?
Como controlar o susto o medo de nossas próprias faces desfiguradas pela ganância, ódio e o torpe?

Bailamos em ópera grotesca, punk ou jazz, não importa a linguagem, gênero, estilo
A contradança é ministrada pelo zunido das balas e o gemido silencioso dos mortos de fome.

Inocentes ou culpados?
Devassos ou santos?
É a imundice da matéria o germe figurante dos prazeres da carne.

As relações a ditadura da conveniência governa.

Calma, a cortina está fechada e o cobertor quente: encarne as unhas gigantes da preguiça e coma os pedaços causados pela omissão, a ventania não te causará gripe ou moléstia, apenas feche os olhos e sonhe com formas de nuvens e novela das 20h.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Influenciada por algo de G. G. Márquez.

Sentou-se na rede como de costume, com um livro em uma das mãos, uma maça na outra e o pensamento distante de tudo o que era palpavél, tentou se concentrar nas linhas que mais pareciam borrões e seu esforço máximo culminou com uma lágrima sem motivo ou intenção, apenas sentia o peso em todas as mínimas partes de seu corpo.
Atirou-se a escrita de poesias tristes e pensou em como o mundo já estava esgotado de tantos martírios.
Deu-se então a práticas insalubres de dormir de madrugada apenas pensando ao acaso, emocionou-se algumas vezes com uma música clássica, com algumas palavras e com o perfume da dama da noite na casa do vizinho.
Extremamente só em uma quietude de temperamento, passeando pela casa e pelas horas sem se atentar com o passar da vida.
Repetia a rotina insone, dormindo quatro horas por noite, lendo romances na rede e degustando os desejos repentinos de seu paladar, no fundo tudo era preto e branco, não amanhecia, não anoitecia, era como se tivesse sido contaminada pela peste dos males do mundo, pela tristeza incabivel de certos poetas a beira do amor.
Um dia como qualquer outro sem saber se era sol ou era noite deitou-se no ataúde ainda viva e descobriu na morte a única certeza de sua existência, desde sempre a cada respiração ou palavra era consumida pouco a pouco pelos vermes e mentiras, a morte era a vida como a vida tinha sido sempre a morte.
Incrivel são os fatos de alguns vizinhos ainda ouvirem a rede balançando às vezes e a dama da noite nunca mais ter perfumado o ambiente dos vivos, já os mortos rejubilam-se pelo cheiro a perseguir o espectro da branca moça por onde passa.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Não tenho saco
O asco consumiu meus dias.
E em beira de infartar o que se faz?
Sempre se está farto demais.

Sente esse frio - desprega das pregas do vestido e esvai na barra.
Ah! Mas a sensação desses segundos desmorona.

Não tenho medo, tenho nojo, já disse, não insista
Pegue logo as tralhas, o guarda-chuva e vá
Daqui a pouco as rendas criam pernas para assombrar
Seus sonhos
Nossos sonhos.

Precisava dar a descarga.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Considerações não inteligentes.

Engraçado como na vida, infelizmente acabamos nos afastando do que realmente faz sentido e possui verdadeira importância. Esse ano, por exemplo, me enchi de afazeres, acordava todos os dias às 6:00 para dormir 00:30, me afastei de minha família ( algo extremamente novo, já que como uma recém adulta ou uma adolescente ainda, sempre fui acostumada a conviver pelo ao menos meio período ao lado deles ), percebi a decadência de minhas relações humanas: convivendo com centenas de pessoas por dia, mas apenas com uma ou duas mantendo um contato quase não superficial, percebo que ainda sou estranha neste novo universo pós ensino médio.
Mas o caso é, ontem o natal caiu no meu colo de repente, sim, sim, há pelo menos dois meses havia propagandas consumistas ao extremo voltadas para este dia, luzes iluminam a capital todo, a explanada tem uma árvore maravilhosa que dentre outras coisas faz propaganda política...Diferente dos outros anos eu não me emocionei nem um pouco, tornei-me progressivamente mais gélida ( por isso usei tantas meias para conseguir dormir este mês ) e quando dei por perdido todas as antigas expectativas, alegrias da criança que até os treze anos acreditava no bom velhinho, algo aconteceu.
Pelo evento natalino, resolvi me confessar semana passada e depois de um ano sem comungar o fiz na missa de natal e bem lá no fundo pensei na minha hipocrisia, na hipocrisia do mundo, contudo em meu silêncio apenas agradeci a presença de Deus, mas eu pensava " hoje, não parece Natal.", saí da igreja, fui para casa da minha madrinha e lá me deparei com algo diferente, a única decoração que havia era uma árvore com enfeites vermelhos, estranhei um pouco, eu, acostumada às decorações luxuosas da família do meu pai e de uma mais caprichada na mesma casa todos os anos e me questionei novamente sobre a vinda de Jesus.
Iniciou-se cedo a ceia, dezoito crianças na casa, dentre elas primos, irmãos e amiguinhos dos primos menores, todas correram para pegar seu prato, mas esqueceram de algo essencial, como sou chata mesmo, nasci para ser assim falei quando todos já estavam à mesa: " Então pequenininhos, o que é hoje? Sim, o Natal. O que aconceteu hoje? Então vamos agradecer o alimento que estamos recebendo nessa noite? Eu falo e vocês repetem.", comecei a oração simples que meu avó fazia ainda vivo e o coro infantil foi me acompanhando. Pode parecer realmente tosco esse relato, sentimental demais, corriqueiro demais, mas quando ouvi as vozes meu coração estremeceu de alegria, a inocência estava rezando!
Logo após, ainda antes de meia noite, ouve troca de doces entre as crianças através de um amigo oculto improvisado em que os pequinininhos entregavam logo dizendo " minha amiga(o) aculto está com a roupa tal e o lacinho tal...", explosão de felicidade com os doces, começaram a correr pela casa brincando de super-herois, foi a deixa para os adultos organizarem os presentes na àrvore, minha irmã caçula vestiu-se de mamãe noel e recebeu o encargo de entregar a cada um o que lhe fosse. TODOS OS PRESENTSES IGUAIS. Mesmo assim, com besteirinhas, como boneca e homem-aranha os sorrisos estavam escancarados, os olhos brilhando e os gritos de alegria nos quatro cantos. Tudo capitalismo, eu sei.
Abandonei a casa de maioria criança para festejar a ceia natalina na casa dos pais de meu namorado, apenas uma criança na casa dele e igualmente feliz. Não pude deixar de analisar essa euforia infantil e caiu a ficha: Jesus nasceu em meio animais, seu primeiro leito foi uma mangedoura, deu-se por inteiro, rebaixou-se para a nossa salvação e eu pensando na decoração?! Enquanto as crianças lá de casa ficavam felizes com doces, com um papi noel de mentirinha e lembrancinhas. Rezavam com simples amor e respeito. Percebi o quanto é díficil manter vivo o verdadeiro espírito desta data, o verdadeiro significado, acabamos todos inclusos em uma redoma material e deveriamos ser simplesmente como aquele momento da comunhão e da oração, simples, mas entregues e realmente felizes.

sábado, 6 de dezembro de 2008

As imagens guardaram- se nas caixas vazias da minha inteligência, impregnaram suas cores na rotina absurda dos sonhos ( quem disse sonho ser preto só? ) , viraram estigmas de uma mente criadora. A criatividade deixou-me lixo e cartões de todos os tipos - ainda não tive coragem de abrir, na parede um bilhete em sangue púrpura "De tanto tentar parecer pereci em suas entranhas". Sou amorfa agora. Claro! Quem sem criatividade vive sem ser tomada, bombardeada por todos os cantos? Batalha de perdidos. Não há proteção.
O pão do café da manhã surtou no copo de leite e no meu estomâgo tornou-se âmago de um cotidiano rastejante. Tomei remédio, água oxigenada, forcei o vômito, comi chocolate e nada - o gosto amargo na saliva ficou e ninguém quis o beijo, ninguém quis me salvar, acharam-me velha demais para os contos de fada e vestidos rodados. Cismei com meu medo, minhas vertigens, apreços e descobri - por mais que fuja, esconda ou varra há sempre o eu do meu não desejo, do meu não saber - é o comer: as propagandas insanas da tv, os restos da gordura dos meus pratos preferidos, os elogios dos amigos, minhas auto-criticas, as cores, os cheiros, os segredos de todos os olhos (passaram, choraram, riram e me esqueceram).
Por enquanto mesclo incertezas e nudez como ácido para libertar-me do tédio, agitação inquieta de todo eu ( de tudo ).

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quarta parede

O pior de tudo é viver a vida assim - mero espectador
Natural por favor, real e com razão!
Preso em parâmetros sociais indignos.
Comprar bilhetes para a primeira fila
Rir descaradamente da desgraça, alheia
Aceitar tudo - até a mídia
Alien ( ada / ante )
E no final voltar ao casúlo
Jamais rever certos rostos...
resumo de capacidade:
Observar a ação
Não ser parte ativa
Mas emotiva.

Caso esbarre com meu eu atriz na vida não reconheço
Certas vezes esqueço os jogos sociais- culpa das vorazes tosses pela platéia.

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Bom dia seu José!

Sai um cobertor bem quente, sim?!
Hoje o dia foi de amargar! As rugas já se precipitaram...
Quero acalentar minha preguiça em um lençol de cetim:
escorregar o corpo e pesar no frio toque, mas tô vendo que tá em falta neh?!
Então sai um travesseiro de penas?!
Quero despistar o cansaço com uma noite bem dormida aceito o dia também!
Moço e tem apoio de cabeça?!
É que tô cansada de pescar apoiada no pulso...
Embeba meu tédio em aguá sanitária, é possivel?!
As páginas dos livros estão brancas demais!!!
Minha alma encardida se contorce com o alvo entre as mãos...
O sachê de ânimo já chegou?!
Ótimo, esse virá a calhar!Soma aquele litro de coragem, por favor...?
Isso! Estou quase satisfeita.
Ham?! fala sério! Só amanhã?!Mas não tem como o chefe abrir uma excessão?!
Tá bom então, fazer o que neh?!
Dá pelo menos pra arranjar um pó de guaraná ou um café já pronto?!
Endereço?! O mesmo de sempre e põe na conta, ok?!
Ufa! Ainda bem que terminam os dias!

domingo, 21 de setembro de 2008

Conversa em uma tarde de sábado.

Tédio depois de uma tarde de estudos, uma sentada em frente ao computador e a outra ainda tentando dissecar o livro para a prova de segunda. A página do “Orkut” de um conhecido suscita o assunto:

- É engraçado como existem homens e homens diferentes, neh?
- Nossa! E como... Tem mais variação de homem no mercado que muito produto por ai...Mas a gente nunca acha o que procura, todos vêm com defeito de fabricação...
- Será que existe o homem perfeito?!
- O homem perfeito não se conhece por suas qualidades, mas pela falta de certos defeitos !
- Ha ha... Ótima filosofia!
- É possível nomear todos os tipos de homem? Pelo menos os que a gente conhece?
- Se for o que a gente conhece é fácil... Por exemplo, o “
que te faz de gato e sapato”.
- Ou o “
que gosta de ser feito de gato e sapato”!
- É vero! Encontrei poucos deles na vida, mas incrível como a gente vê por aí tanta mulher vagabunda com os caras no pé...
- O que me faz lembrar dos homens “
chicletes”!!! Quanto mais pisa, mais gruda!
- Muito booom! Mas um tipo que nenhuma mulher merece é o “
Banho Maria
- Banho Maria?! Como assim?!
- Meninaaa! O que não te descarta e nem fica contigo! Te deixa cozinhando para quando precisar!
- Eu também odeio os que “
não cagam e nem saem da moita”!
- Hãm?!
- Os mal resolvidos, flor! Álias, cada homem pode ter várias classificações e a maioria se enquadra nessa!
- Putz! Então muitos também entram no “
camarão
- Agora boiei, fato!
- Corpo maravilhoso, mas a cabeça... Só serve pra jogar fora!
- Ha ha! Imagina um ser do sexo masculino ouvindo isso?!
- Ahhhh! Aí a gente não pararia por aqui não! Subdividiríamos a classe ainda em: "
Frouxos", "Havaianas", "fogo de palha" e "coca-cola"!
- Nussa! Explique-se!
- Frouxos você já sabe, são covardes e talz... Havainas: todo mundo usa!; fogo de palha: não dura nada e coca-cola é só pressão!
- KKKKKK! Juro, você é muito criativa! Eu pensaria nos mais comuns, como as famosas “
moscas de padaria”, "cuscuzeiros" ou "arroz", a raça brasileira da história!
- Que convenhamos, ninguém merece, mas alguns até se dão bem neh? Os famigerados “
água mole em pedra dura, tanto bate até que fura” !
- Falando em furar... Que furem direito! É péssimo homem “
microondas”!!!
- Os rapidinhos?!
- Sim! Esquentou, tá pronto! Hauhauahuah!
- Ainda bem que meus namorados até hoje foram todos “
bombeiros”.
- Esse eu sei! Sempre disposto a apagar seu fogo!Safadonaaa!
- Exatamente!
- Mas o que eu gosto mesmo... É do “
multiuso”.
- Como?!
- Lava, passa, cozinha, faz massagem, paga as contas do restaurante e ainda é bom de cama!
- Uhh! Esse tá faltando no mercado meu bem, se encontrar segura! Por isso há cornos! Não há um homem capaz de satisfazer uma mulher!
- É aquela citação: Não deu assistência, perdeu a preferência e abriu espaço pra concorrência!
- Pior!
- Sabe o que eu queria, na verdade?!
- Hummm... Posso chutar? Uma raça mais que escassa, em extinção...
- Isso! Os fiéis!
- Em compensação de "
cachorros" as praças estão lotadas, mas de cachorras também!
- Ah! Os bailes funks entao... haha... Mas mulher é outra discussão, ainda não tenho interesse nelas não, ficamos nos homens mesmo!
- Fiquemos!
- Sonhemos com o homem ideal...
- Alouuuu?! Não existe homem ideal querida, há o real... Se contente com isso ou vire a casaca!

domingo, 14 de setembro de 2008

Bebedeira.

Bebedeira. Bebedeira?!


Chegou em casa depois da festa, alterado pelos goles a mais começou a explanar " universo único, universo x universo, universo único, universal, universo único, sonho, ser e você ... e além disso...me sinto crucificado, no sentido que da analogia de pensar do que as pessoas pensam da minha pessoa, em relação do que as pessoas pensam de mim, em analogia do que as pessoas pensam (silêncio)... e até hoje, pensam...”
Já estava meio alta também, confesso, uma boa companhia e umas doses, quando ao invés de sair, vira-se babá de suas irmãs, pode ser a salvação de um sábado ou um completo fim de carreira como concluímos, minha colega primeiro e eu depois em tantas da madrugada...
Mas o fato é, depois da menina ir embora e meu pai me abordar com palavras sem nexo passei a matutar sobre o álcool e seus efeitos. Afinal quem nunca pagou algum “vexa” nessas situações?! No fundo, as palavras do velho são sábias! Estamos o tempo todo preocupados com o que somos para os outros, por sermos feitos para conviver e não para a isolação. Mas nesse universo único até que ponto usamos máscaras?
Bebe- se por tudo! Em comemorações ou como suposto remédio para esquecer estresse, conflitos amorosos ou financeiros, bebe-se com amigos ou sozinho, aonde houver bebida! Há motivos ótimos para se beber... Agüentar bêbados é o melhor, quem é capaz de suportar a conversa de alguém já tonto sem se irritar ?!
Cada um de nós, apresentados a esta droga lícita temos um causo grotesco para contar, mas por quê?! Não sou especialista, mas muitas pessoas são mais verdadeiras bêbadas que sóbrias, perdem um pouco o senso do ridículo e mostram as pérolas que são! O universo do álcool nos transporta para diversos questionamentos de ordem crítica ou vã... e os pequenos detalhes podem ser gigantes, assim como tudo!
Não estou fazendo apologias, de forma alguma! Já pensou o mundo onde as pessoas estivessem bêbedas permanentemente 26 horas por dia?!O estar cheios de álcool é nada além de nós mesmos em extensão mais aguda, nós como punhais, em pulsos e repulsos contínuos contra nós e os outros ou a favor de ambos.
Não há idade ou classe social, há organismos diferentes e porquês diferentes, mas realmente deveríamos levar certas sensações destes dias... as boas por favor! Tirara certas máscaras, não temer o ridículo, aventurar-se para nos descobrir! E isso sóbrios...Engraçado, talvez eu já tenha essas características e por isso sempre fico triste quando bebo, mas mesmo assim, se for beber me chame e não dirija! A gente racha a caminhada ou o táxi caríssimo nessa selva de pedras! xD~