O olhar entristecido procura algo no horizonte
encontra aturdido uma luz ao longe:
eram chagas fulgurantes, lágrimas pungentes
O amar constante.
Em sua fraqueza errante os olhos já não mais se perderam
sustentaram junto ao peito arfante
as poucas certezas apreendidas
Eram nada mergulhados em preocupações humanas
E tudo nos mistérios misericordiosos.
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Pergunto aos botões arfantes em meu colo a cisma do querer
( Queridos, respondam e voltem contritos ao meu comando, sim?)
Ácido na saliva, féu do desejo em colapso com a razão
( Não podem agir assim, por favor, não é justo, acalmem-se! )
um arrepio morno passeia por lombares, torácicas, cervicais para descansar nos lábios, na mordida do pecado
( Tenho, castigo, corrião, dinheiro e carinhos, colaborem, já não posso mais )
o pensamento paira no gosto doce do beijo,a vontade insensata, torpe,as madeixas claras em meu suor
( Ele não responde, não adianta queridos, para quê tanta ânsia, frivolidade? Não se abram! )
É pulsante, insano e nem por isso menos verdadeiro, intenso
( Isso, não esperem, de certo não serão correspondidos )
No real ou inatingivel - há.
( Desabotoei o primeiro por desatino e os próximos? De certo haverá refrega )
Meu ego faz calar.
( Queridos, respondam e voltem contritos ao meu comando, sim?)
Ácido na saliva, féu do desejo em colapso com a razão
( Não podem agir assim, por favor, não é justo, acalmem-se! )
um arrepio morno passeia por lombares, torácicas, cervicais para descansar nos lábios, na mordida do pecado
( Tenho, castigo, corrião, dinheiro e carinhos, colaborem, já não posso mais )
o pensamento paira no gosto doce do beijo,a vontade insensata, torpe,as madeixas claras em meu suor
( Ele não responde, não adianta queridos, para quê tanta ânsia, frivolidade? Não se abram! )
É pulsante, insano e nem por isso menos verdadeiro, intenso
( Isso, não esperem, de certo não serão correspondidos )
No real ou inatingivel - há.
( Desabotoei o primeiro por desatino e os próximos? De certo haverá refrega )
Meu ego faz calar.
terça-feira, 17 de março de 2009
Vento no corpo arranca espectros em arrepios; levanta a saia cor de abóbora, brinca em sua barra como em um carrossel; embaraça as madeixas oxigenadas; ativa na pele o desejo de apenas estar, deixar-se sobre grama em desatino.
Precipita o som em goteira e o frio morno intensifica os sentidos, romperam o céu, com infindas alfinetadas para tomar banho sem chuveiro e sabão.
O sorriso é forçado pelo vapor dos primeiros pingos no concreto quente; ela fria, sem lençol.
Molhado: curvas reveladas, vai e vem de contornos, traços femininos nada infantis. Os pés descobrem entre pulos nas poças as banheiras florais.
Dezenove ou apenas quatro?
Curioso gosto de picolé de uva tem a chuva! De certo o algodão mistura-se a tinta púrpura no paladar e transporta o tempo para apenas um fio ( seria ciclo? ) : somos da idade que nos sentimos, das cores de nossos sabores - reveladores de facetas diversas de nossos medos e contos de fadas.
A menina de outrora é mulher de agora, sedutora, simpática e muito indefesa, mas com dez garras afiadas e multicoloridas ( morango e laranja em profusão e vontades ) em suas mãos.
Precipita o som em goteira e o frio morno intensifica os sentidos, romperam o céu, com infindas alfinetadas para tomar banho sem chuveiro e sabão.
O sorriso é forçado pelo vapor dos primeiros pingos no concreto quente; ela fria, sem lençol.
Molhado: curvas reveladas, vai e vem de contornos, traços femininos nada infantis. Os pés descobrem entre pulos nas poças as banheiras florais.
Dezenove ou apenas quatro?
Curioso gosto de picolé de uva tem a chuva! De certo o algodão mistura-se a tinta púrpura no paladar e transporta o tempo para apenas um fio ( seria ciclo? ) : somos da idade que nos sentimos, das cores de nossos sabores - reveladores de facetas diversas de nossos medos e contos de fadas.
A menina de outrora é mulher de agora, sedutora, simpática e muito indefesa, mas com dez garras afiadas e multicoloridas ( morango e laranja em profusão e vontades ) em suas mãos.
segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009
Influenciada por algo de G. G. Márquez.
Sentou-se na rede como de costume, com um livro em uma das mãos, uma maça na outra e o pensamento distante de tudo o que era palpavél, tentou se concentrar nas linhas que mais pareciam borrões e seu esforço máximo culminou com uma lágrima sem motivo ou intenção, apenas sentia o peso em todas as mínimas partes de seu corpo.
Atirou-se a escrita de poesias tristes e pensou em como o mundo já estava esgotado de tantos martírios.
Deu-se então a práticas insalubres de dormir de madrugada apenas pensando ao acaso, emocionou-se algumas vezes com uma música clássica, com algumas palavras e com o perfume da dama da noite na casa do vizinho.
Extremamente só em uma quietude de temperamento, passeando pela casa e pelas horas sem se atentar com o passar da vida.
Repetia a rotina insone, dormindo quatro horas por noite, lendo romances na rede e degustando os desejos repentinos de seu paladar, no fundo tudo era preto e branco, não amanhecia, não anoitecia, era como se tivesse sido contaminada pela peste dos males do mundo, pela tristeza incabivel de certos poetas a beira do amor.
Um dia como qualquer outro sem saber se era sol ou era noite deitou-se no ataúde ainda viva e descobriu na morte a única certeza de sua existência, desde sempre a cada respiração ou palavra era consumida pouco a pouco pelos vermes e mentiras, a morte era a vida como a vida tinha sido sempre a morte.
Incrivel são os fatos de alguns vizinhos ainda ouvirem a rede balançando às vezes e a dama da noite nunca mais ter perfumado o ambiente dos vivos, já os mortos rejubilam-se pelo cheiro a perseguir o espectro da branca moça por onde passa.
Atirou-se a escrita de poesias tristes e pensou em como o mundo já estava esgotado de tantos martírios.
Deu-se então a práticas insalubres de dormir de madrugada apenas pensando ao acaso, emocionou-se algumas vezes com uma música clássica, com algumas palavras e com o perfume da dama da noite na casa do vizinho.
Extremamente só em uma quietude de temperamento, passeando pela casa e pelas horas sem se atentar com o passar da vida.
Repetia a rotina insone, dormindo quatro horas por noite, lendo romances na rede e degustando os desejos repentinos de seu paladar, no fundo tudo era preto e branco, não amanhecia, não anoitecia, era como se tivesse sido contaminada pela peste dos males do mundo, pela tristeza incabivel de certos poetas a beira do amor.
Um dia como qualquer outro sem saber se era sol ou era noite deitou-se no ataúde ainda viva e descobriu na morte a única certeza de sua existência, desde sempre a cada respiração ou palavra era consumida pouco a pouco pelos vermes e mentiras, a morte era a vida como a vida tinha sido sempre a morte.
Incrivel são os fatos de alguns vizinhos ainda ouvirem a rede balançando às vezes e a dama da noite nunca mais ter perfumado o ambiente dos vivos, já os mortos rejubilam-se pelo cheiro a perseguir o espectro da branca moça por onde passa.
É para passar no cabelo?!
estúpido e lúcido.,
Rascunhos
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Para o seu susto e meu desalento, escrevo.
Rareio minhas visitas como sempre, falo entre dentes e me calo sem respostas. Só meu corpo entende o sentido de querer te ver outra vez. Surda, muda, insensível gostaria de ser aos prazeres de sua respiração, beijo, suor ao invés sucumbo anciosa por seu abraço morno, suas vontades latentes e ironia ( daquela boa, faz rir ). De repente sou piegas demais eu sei. Descrevo impressões incertas, sentimentos vagos de uma convivência pacata e regida por " eu quero seu sexo" , íncrivel como sou pouco vulgar, mas piegas sempre.
Como explicar a insipiência diante o fato nítido? Meu lábio inferior ferido por mordidinhas quando sozinha ao longo do dia rescunhos da memória inflamam o desejo de apenas passar - por sua cama, vista, vida?
Não é nada meu bem, não é um lamento desértico, nem confissões ácidas, são garranchos de ilusão e ócio que repetem brutalmente do meu seio ao ventre o incrédulo delírio de esbarrar em seus suspiros e carne, caústico.
- Pilar Ternera pensaria em falar isso para algum de seus amantes? Me perguntei.
Rareio minhas visitas como sempre, falo entre dentes e me calo sem respostas. Só meu corpo entende o sentido de querer te ver outra vez. Surda, muda, insensível gostaria de ser aos prazeres de sua respiração, beijo, suor ao invés sucumbo anciosa por seu abraço morno, suas vontades latentes e ironia ( daquela boa, faz rir ). De repente sou piegas demais eu sei. Descrevo impressões incertas, sentimentos vagos de uma convivência pacata e regida por " eu quero seu sexo" , íncrivel como sou pouco vulgar, mas piegas sempre.
Como explicar a insipiência diante o fato nítido? Meu lábio inferior ferido por mordidinhas quando sozinha ao longo do dia rescunhos da memória inflamam o desejo de apenas passar - por sua cama, vista, vida?
Não é nada meu bem, não é um lamento desértico, nem confissões ácidas, são garranchos de ilusão e ócio que repetem brutalmente do meu seio ao ventre o incrédulo delírio de esbarrar em seus suspiros e carne, caústico.
- Pilar Ternera pensaria em falar isso para algum de seus amantes? Me perguntei.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Passeio.
Ela.
Saia comprida, chinelo, cabelos até a cintura ( soltos, brincavam com o vento com vida própria quase), bracelete e o semblante convicto.
Ele.
O futuro ( marido, namorado, desconhecido? ) de bermuda florida que ela ajudou a escolher, chinelo, camiseta azul, olhos claros e vivos, altivo.
Mãos dadas.
A praça.
Ar turístico, uma fileira de restaurantes com garçons doidos por clientes anunciando a vastos pulmões as especiarias da casa, jatos de água em alternância em uma fonte no chão, postes antigos, algumas árvores enormes a farfalhar com a mistura enjoativa de músicas, banquinhos de ferro.
A noite.
Quente, mas com um vento faceiro, sem estrelas nem lua, iluminada apenas pelas luzes artificiais e por alguns fogos de artíficio ao longe.
A praça é pública.
Todas as raças, ricos, pobres, crianças misturadas brincando de correr.
No centro, duas mulheres e um homem pegam pequenos azulejos, unem tinta à óleo, " de gráfica" como anuncia o rapaz e apenas com dedos, paninhos e palitos de dentes desenham em minutos lindas paisagens de lugares talvez nunca visitados. Cachoeiras, noites estreladas, árvores com flores lilás e uma casinha no pé do morro, apenas cinco reais os simples e por dez fazia-se um personalizado! "Um santuário para Nossa Senhora Aparecida é personalizar?! " Ela reclamando do presente que levaria para mãe pela quantia dos dez. Talvez religião personalize pessoas.
Ela dá pulos frenéticos cantando Zé Ramalho, uma Hippie acha graça " hey, você, é você, vem aqui doida, dúvido se tu tem coragem de comprar minhas bijus hoje, pros outros tá só 59,90 reaus, mas pra tu que é muito doida fica por 10 milão. Não?! Ah, comer ainda neh?! Putz, deixa pra nóis 2 mil que te faço um trampo massa, surpresa, faz assim, dá sete, ganha o trampo e leva um brinco, fechou?! Escolhe aí. Sim a borboleta ficou maravilhosa, combina com teu cabelo, toma tá na mão. Vai usar o anel em que dedo?! Bate aí! Seu nome?! 20 mil reis?! Correeee! Peraí, quanto tenho que dar te troco, esse troço complico! Tome-lá 13 milão neh?! Falou!"
Do outro lado, pendurado numa árvore um tecido bordô abria espaço para um picadeiro improvisado e uma voz mecanizada anunciava um número de duo acrobático. Ela ficou encantada com as sequências de contorcionismo, malabares, com a roupa colorida dos palhaços e de suas piadas e principalmente do tecido, do desprendimento, força, equilibrio e leveza que o artista tem que ter para essa modalidade. " Arte é para quem quer, não para quem pode." setencia o palhaço. Um frio perpassa o corpo dela, seus pêlos eriçam, sua garganta seca, sabe que possui algum talento, iniciou faculdade de artes a menos de um ano e não sabe porquê nem para quê, só o que sente quando está no palco, a vida escorrendo em suas veias e o prazer de atuar. Ele se diverte com o resto do espetáculo, para ela acabou ali. Será dotada de coragem suficiente? Encararia enfrentar uma praça para ganhar o seu? Por amo, por prazer?
Mãos dadas. Vento, cheiro de picanha e silêncio ( de todas as dúvidas e de todas as certezas ), lá fora o barulho era intenso.
Ele voltou para casa com um sorriso de prazer.
Ela voltou para a casa dele com 17 reais a menos, um brinco de borboleta, um anel de cobre, uma imagem de N. Senhora, o sotaque da hippie ( coisa de artista em neurose ) e a questão quantas praças teria de rodar para sobreviver da arte?
" Nossa, você tá agindo estranha, o que ouve? Fala direito, amor!".
Ela enrubesceu com as palavras secas, quase um rótulo.
De perto quem é normal, afinal?
Saia comprida, chinelo, cabelos até a cintura ( soltos, brincavam com o vento com vida própria quase), bracelete e o semblante convicto.
Ele.
O futuro ( marido, namorado, desconhecido? ) de bermuda florida que ela ajudou a escolher, chinelo, camiseta azul, olhos claros e vivos, altivo.
Mãos dadas.
A praça.
Ar turístico, uma fileira de restaurantes com garçons doidos por clientes anunciando a vastos pulmões as especiarias da casa, jatos de água em alternância em uma fonte no chão, postes antigos, algumas árvores enormes a farfalhar com a mistura enjoativa de músicas, banquinhos de ferro.
A noite.
Quente, mas com um vento faceiro, sem estrelas nem lua, iluminada apenas pelas luzes artificiais e por alguns fogos de artíficio ao longe.
A praça é pública.
Todas as raças, ricos, pobres, crianças misturadas brincando de correr.
No centro, duas mulheres e um homem pegam pequenos azulejos, unem tinta à óleo, " de gráfica" como anuncia o rapaz e apenas com dedos, paninhos e palitos de dentes desenham em minutos lindas paisagens de lugares talvez nunca visitados. Cachoeiras, noites estreladas, árvores com flores lilás e uma casinha no pé do morro, apenas cinco reais os simples e por dez fazia-se um personalizado! "Um santuário para Nossa Senhora Aparecida é personalizar?! " Ela reclamando do presente que levaria para mãe pela quantia dos dez. Talvez religião personalize pessoas.
Ela dá pulos frenéticos cantando Zé Ramalho, uma Hippie acha graça " hey, você, é você, vem aqui doida, dúvido se tu tem coragem de comprar minhas bijus hoje, pros outros tá só 59,90 reaus, mas pra tu que é muito doida fica por 10 milão. Não?! Ah, comer ainda neh?! Putz, deixa pra nóis 2 mil que te faço um trampo massa, surpresa, faz assim, dá sete, ganha o trampo e leva um brinco, fechou?! Escolhe aí. Sim a borboleta ficou maravilhosa, combina com teu cabelo, toma tá na mão. Vai usar o anel em que dedo?! Bate aí! Seu nome?! 20 mil reis?! Correeee! Peraí, quanto tenho que dar te troco, esse troço complico! Tome-lá 13 milão neh?! Falou!"
Do outro lado, pendurado numa árvore um tecido bordô abria espaço para um picadeiro improvisado e uma voz mecanizada anunciava um número de duo acrobático. Ela ficou encantada com as sequências de contorcionismo, malabares, com a roupa colorida dos palhaços e de suas piadas e principalmente do tecido, do desprendimento, força, equilibrio e leveza que o artista tem que ter para essa modalidade. " Arte é para quem quer, não para quem pode." setencia o palhaço. Um frio perpassa o corpo dela, seus pêlos eriçam, sua garganta seca, sabe que possui algum talento, iniciou faculdade de artes a menos de um ano e não sabe porquê nem para quê, só o que sente quando está no palco, a vida escorrendo em suas veias e o prazer de atuar. Ele se diverte com o resto do espetáculo, para ela acabou ali. Será dotada de coragem suficiente? Encararia enfrentar uma praça para ganhar o seu? Por amo, por prazer?
Mãos dadas. Vento, cheiro de picanha e silêncio ( de todas as dúvidas e de todas as certezas ), lá fora o barulho era intenso.
Ele voltou para casa com um sorriso de prazer.
Ela voltou para a casa dele com 17 reais a menos, um brinco de borboleta, um anel de cobre, uma imagem de N. Senhora, o sotaque da hippie ( coisa de artista em neurose ) e a questão quantas praças teria de rodar para sobreviver da arte?
" Nossa, você tá agindo estranha, o que ouve? Fala direito, amor!".
Ela enrubesceu com as palavras secas, quase um rótulo.
De perto quem é normal, afinal?
sábado, 13 de dezembro de 2008
Quatro pernas sobre a mesa
- Vem, te ensino é fácil!
- Falar é mesmo fácil, você não está na minha situação.
- Qualé! Lá vem você outra vez. Assim não rola mesmo, você tem que decidir.
- Ai meu bem, desculpa vai, é que isso tudo me deixa muito nervosa, tô muito dividida, tenho medo de magoar as pessoas, você sabe como eu sou, nunca escondi nada e nem escondo. E não me pressiona, você também dá seus pulos!
- A culpa é sua...Quer dizer que se ele perguntasse você falaria na hora?
- Lógico.
- hummm. Então você dissimula?
- Também não, se as pessoas não percebem o que está acontecendo não sou eu que vou ficar jogando na cara.
- Não acho isso certo, mas que merda! Eu gosto de você! Vem pega o taco, bate naquela bola branca ali, você tem que acertar as ímpares.
- Já te falei que sou ruim de mira, além do mais, você não acha que vai me conquistar com sinuca neh?
- (aos risos) Não, te conquisto com isso aqui.
- Falar é mesmo fácil, você não está na minha situação.
- Qualé! Lá vem você outra vez. Assim não rola mesmo, você tem que decidir.
- Ai meu bem, desculpa vai, é que isso tudo me deixa muito nervosa, tô muito dividida, tenho medo de magoar as pessoas, você sabe como eu sou, nunca escondi nada e nem escondo. E não me pressiona, você também dá seus pulos!
- A culpa é sua...Quer dizer que se ele perguntasse você falaria na hora?
- Lógico.
- hummm. Então você dissimula?
- Também não, se as pessoas não percebem o que está acontecendo não sou eu que vou ficar jogando na cara.
- Não acho isso certo, mas que merda! Eu gosto de você! Vem pega o taco, bate naquela bola branca ali, você tem que acertar as ímpares.
- Já te falei que sou ruim de mira, além do mais, você não acha que vai me conquistar com sinuca neh?
- (aos risos) Não, te conquisto com isso aqui.
domingo, 12 de outubro de 2008
Esboço - Diálogo.
( No hospício. A cantarola e B acompanha, mas com outra música, no final parece uma só. Em crescente até o silêncio absoluto. )
A: Alô!
B: Oi! Você aqui de novo?!
A: Pois é... ainda esperando os correios saírem de greve!
B: Como assim?!
A: Ué! Vai dizer que você não sabia?! Por isso não chegam as cartas da minha família!
B: Já faz tempo?! E eu que não sei o que estou fazendo aqui...
A: 3 anos!!! 3 longos anos!!! É um absurdo!Esse governo...
( chega um terceiro)
C: Oi! Não pude deixar de escutar... Desculpa, é que sou novato aqui... Muito tempo aqui?! Uma curiosidade...Porque estão aqui?!
A: Eu estou esperando cartas... Há 3 anos! Nunca recebi cartas...Culpa da bosta desse correio!
B: Não sei...Um dia cheguei em casa, meu marido estava na cama com outra mulher...Peguei meus filhos e fui viajar...Queria que eles experimentassem algo novo, libertá-los, me libertar...
C: Conseguiu?! Porquê queria aprender como...
( chega uma mulher, morde um deles)
A/B/C: Aí, sai pra lá seu cão! Parece um animal!
D: Não fui eu! Eu juro! Não foi...
A/B/C: não vê que está sendo inconveniente? estamos conversando, sai fora!
D: eu fico!
( durante a conversa morde-os e sempre nega o ato até se estressarem e a expulsarem, ela sai negando, em gritos decrescentes, pode virar uma musica, vários não fui eu, por exemplo...)
C: Voltando ao assunto... Me ensina?!Conseguiu?!
B: Eu não! eles sim...Pulamos do alto!No rio Tietê, achei que tinha alcançado a liberdade, mas não! Vim parar aqui e nem sei quanto tempo faz...Uns dias talvez, meses, anos?!
A: E eles te mandam cartas?!Tá esperando a carta deles?!
B: Não, não! Eles estão no colo de Nossa Senhora, graças a Deus... Só eu fiquei no inferno.
C: Eu também queria... Ah sim! Morrer! De ontem pra cá já tentei me matar duas vezes, não deixam, me sedam... Nem me matar eu posso... Por isso tô sem roupa. ( na verdade está vestido)
B: Ué! Mas você tá vestido...
C: Tá louca?! arrancaram minhas roupas quando eu tentei me enforcar! Na semana passada!
B: Ainda bem que estou viva... Posso receber as cartas a qualquer momento!
A: Aqui podia ter visitas neh?
C: Verdade! Estou com saudades dos meus meninos...
A: Mas ninguém viria me visitar...Meu marido poderia vir...( fala sozinha) Estrangular... Minhas próprias mãos...
C: Eram dois por mês, um em cada cidade...
B: Seus amigos, primos, irmãos?
C: Namorados oras! Pena que duravam pouco...
A: Você se parece com meu marido...
C: Ah... Violência, sinto falta da violência...Alguém tem uma faca?!
B: Porque?!
C: Agarrá-los à força...Esquartejar, pedacinho por pedacinho... Vocês tinham que ver a cara de prazer deles...Depois?! A lata do lixo!
A: Meu marido... (olha para C) Você?!
C: O ser humano é podre! podre!!!Hipócrita!!! Tenho nojo... Podre!
A: Você parece com o meu marido...
( A enforca C com o escapulário que tem no pescoço. Apagam-se as luzes. Gritos.)
A: Alô!
B: Oi! Você aqui de novo?!
A: Pois é... ainda esperando os correios saírem de greve!
B: Como assim?!
A: Ué! Vai dizer que você não sabia?! Por isso não chegam as cartas da minha família!
B: Já faz tempo?! E eu que não sei o que estou fazendo aqui...
A: 3 anos!!! 3 longos anos!!! É um absurdo!Esse governo...
( chega um terceiro)
C: Oi! Não pude deixar de escutar... Desculpa, é que sou novato aqui... Muito tempo aqui?! Uma curiosidade...Porque estão aqui?!
A: Eu estou esperando cartas... Há 3 anos! Nunca recebi cartas...Culpa da bosta desse correio!
B: Não sei...Um dia cheguei em casa, meu marido estava na cama com outra mulher...Peguei meus filhos e fui viajar...Queria que eles experimentassem algo novo, libertá-los, me libertar...
C: Conseguiu?! Porquê queria aprender como...
( chega uma mulher, morde um deles)
A/B/C: Aí, sai pra lá seu cão! Parece um animal!
D: Não fui eu! Eu juro! Não foi...
A/B/C: não vê que está sendo inconveniente? estamos conversando, sai fora!
D: eu fico!
( durante a conversa morde-os e sempre nega o ato até se estressarem e a expulsarem, ela sai negando, em gritos decrescentes, pode virar uma musica, vários não fui eu, por exemplo...)
C: Voltando ao assunto... Me ensina?!Conseguiu?!
B: Eu não! eles sim...Pulamos do alto!No rio Tietê, achei que tinha alcançado a liberdade, mas não! Vim parar aqui e nem sei quanto tempo faz...Uns dias talvez, meses, anos?!
A: E eles te mandam cartas?!Tá esperando a carta deles?!
B: Não, não! Eles estão no colo de Nossa Senhora, graças a Deus... Só eu fiquei no inferno.
C: Eu também queria... Ah sim! Morrer! De ontem pra cá já tentei me matar duas vezes, não deixam, me sedam... Nem me matar eu posso... Por isso tô sem roupa. ( na verdade está vestido)
B: Ué! Mas você tá vestido...
C: Tá louca?! arrancaram minhas roupas quando eu tentei me enforcar! Na semana passada!
B: Ainda bem que estou viva... Posso receber as cartas a qualquer momento!
A: Aqui podia ter visitas neh?
C: Verdade! Estou com saudades dos meus meninos...
A: Mas ninguém viria me visitar...Meu marido poderia vir...( fala sozinha) Estrangular... Minhas próprias mãos...
C: Eram dois por mês, um em cada cidade...
B: Seus amigos, primos, irmãos?
C: Namorados oras! Pena que duravam pouco...
A: Você se parece com meu marido...
C: Ah... Violência, sinto falta da violência...Alguém tem uma faca?!
B: Porque?!
C: Agarrá-los à força...Esquartejar, pedacinho por pedacinho... Vocês tinham que ver a cara de prazer deles...Depois?! A lata do lixo!
A: Meu marido... (olha para C) Você?!
C: O ser humano é podre! podre!!!Hipócrita!!! Tenho nojo... Podre!
A: Você parece com o meu marido...
( A enforca C com o escapulário que tem no pescoço. Apagam-se as luzes. Gritos.)
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