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terça-feira, 21 de julho de 2009

Um sopro nas teias de aranha.

A vida brota de certas veias malignas, tudo o que o homem toca, corrói?
Como controlar o susto o medo de nossas próprias faces desfiguradas pela ganância, ódio e o torpe?

Bailamos em ópera grotesca, punk ou jazz, não importa a linguagem, gênero, estilo
A contradança é ministrada pelo zunido das balas e o gemido silencioso dos mortos de fome.

Inocentes ou culpados?
Devassos ou santos?
É a imundice da matéria o germe figurante dos prazeres da carne.

As relações a ditadura da conveniência governa.

Calma, a cortina está fechada e o cobertor quente: encarne as unhas gigantes da preguiça e coma os pedaços causados pela omissão, a ventania não te causará gripe ou moléstia, apenas feche os olhos e sonhe com formas de nuvens e novela das 20h.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Pergunto aos botões arfantes em meu colo a cisma do querer

( Queridos, respondam e voltem contritos ao meu comando, sim?)

Ácido na saliva, féu do desejo em colapso com a razão

( Não podem agir assim, por favor, não é justo, acalmem-se! )

um arrepio morno passeia por lombares, torácicas, cervicais para descansar nos lábios, na mordida do pecado

( Tenho, castigo, corrião, dinheiro e carinhos, colaborem, já não posso mais )

o pensamento paira no gosto doce do beijo,a vontade insensata, torpe,as madeixas claras em meu suor

( Ele não responde, não adianta queridos, para quê tanta ânsia, frivolidade? Não se abram! )

É pulsante, insano e nem por isso menos verdadeiro, intenso

( Isso, não esperem, de certo não serão correspondidos )

No real ou inatingivel - há.

( Desabotoei o primeiro por desatino e os próximos? De certo haverá refrega )

Meu ego faz calar.

terça-feira, 17 de março de 2009

Vento no corpo arranca espectros em arrepios; levanta a saia cor de abóbora, brinca em sua barra como em um carrossel; embaraça as madeixas oxigenadas; ativa na pele o desejo de apenas estar, deixar-se sobre grama em desatino.
Precipita o som em goteira e o frio morno intensifica os sentidos, romperam o céu, com infindas alfinetadas para tomar banho sem chuveiro e sabão.
O sorriso é forçado pelo vapor dos primeiros pingos no concreto quente; ela fria, sem lençol.
Molhado: curvas reveladas, vai e vem de contornos, traços femininos nada infantis. Os pés descobrem entre pulos nas poças as banheiras florais.
Dezenove ou apenas quatro?
Curioso gosto de picolé de uva tem a chuva! De certo o algodão mistura-se a tinta púrpura no paladar e transporta o tempo para apenas um fio ( seria ciclo? ) : somos da idade que nos sentimos, das cores de nossos sabores - reveladores de facetas diversas de nossos medos e contos de fadas.
A menina de outrora é mulher de agora, sedutora, simpática e muito indefesa, mas com dez garras afiadas e multicoloridas ( morango e laranja em profusão e vontades ) em suas mãos.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Caí no pretérito
De certos pesadelos, sonhos, palavras, desejos
De despautério aguda ( devo ser )

Quem não deseja o futuro?
Ou o presente, que seja!

Futuro do pretérito, ainda fosse.
Segundo certas leis - as ditados por mim ou as da quântica física?]
Posso mudar meu futuro, no passado e meu presente no futuro]
Me confundi na teoria
Na prática engulo tudo, masco e cuspo!

Não quero ser caranguejo.

- Pegue a pá, quero preterir o eu -
Pretérito preterido!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Apoiada na ponta dos pés apanhou sementes de uma árvore qualquer.Queria apanhar sonhos, novos. Pegou o ônibus de volta para casa apinhado de gente, teve de ficar em pé equilibrando-se com uma mão só para suportar na outra o peso de seu colheita. Sentiu-se só, mas imensamente completa. Não plantou sementes, contentou em guardar na bolsa, agora carrega 36 sementes marrons e 1 verde, à tiracolo.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Quarta parede

O pior de tudo é viver a vida assim - mero espectador
Natural por favor, real e com razão!
Preso em parâmetros sociais indignos.
Comprar bilhetes para a primeira fila
Rir descaradamente da desgraça, alheia
Aceitar tudo - até a mídia
Alien ( ada / ante )
E no final voltar ao casúlo
Jamais rever certos rostos...
resumo de capacidade:
Observar a ação
Não ser parte ativa
Mas emotiva.

Caso esbarre com meu eu atriz na vida não reconheço
Certas vezes esqueço os jogos sociais- culpa das vorazes tosses pela platéia.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Pensei na espiral, na vida como um constante progredir e estagnar. O ser humano alheio às suas próprias limitações, alienado em suas ações corriqueiras. Não há como sair, tudo volta ao mesmo ponto, ao mesmo conflito. Preso entre teias do descaso, de suas próprias crenças, status social e econômico, em suas escassas e falsas companhias: afinal, o que importa é o umbigo. Descobri o efêmero no cotidiano, ação e reação de corpos presentes, mas intactos - não há como alcançar o outro dentro de nossas paredes frias e do nosso frágil paradoxo sem argumento. Cansei. Deveria chorar por isso?!

domingo, 12 de outubro de 2008

Esboço - Diálogo.

( No hospício. A cantarola e B acompanha, mas com outra música, no final parece uma só. Em crescente até o silêncio absoluto. )

A: Alô!
B: Oi! Você aqui de novo?!
A: Pois é... ainda esperando os correios saírem de greve!
B: Como assim?!
A: Ué! Vai dizer que você não sabia?! Por isso não chegam as cartas da minha família!
B: Já faz tempo?! E eu que não sei o que estou fazendo aqui...
A: 3 anos!!! 3 longos anos!!! É um absurdo!Esse governo...

( chega um terceiro)

C: Oi! Não pude deixar de escutar... Desculpa, é que sou novato aqui... Muito tempo aqui?! Uma curiosidade...Porque estão aqui?!
A: Eu estou esperando cartas... Há 3 anos! Nunca recebi cartas...Culpa da bosta desse correio!
B: Não sei...Um dia cheguei em casa, meu marido estava na cama com outra mulher...Peguei meus filhos e fui viajar...Queria que eles experimentassem algo novo, libertá-los, me libertar...
C: Conseguiu?! Porquê queria aprender como...

( chega uma mulher, morde um deles)

A/B/C: Aí, sai pra lá seu cão! Parece um animal!
D: Não fui eu! Eu juro! Não foi...
A/B/C: não vê que está sendo inconveniente? estamos conversando, sai fora!
D: eu fico!

( durante a conversa morde-os e sempre nega o ato até se estressarem e a expulsarem, ela sai negando, em gritos decrescentes, pode virar uma musica, vários não fui eu, por exemplo...)

C: Voltando ao assunto... Me ensina?!Conseguiu?!
B: Eu não! eles sim...Pulamos do alto!No rio Tietê, achei que tinha alcançado a liberdade, mas não! Vim parar aqui e nem sei quanto tempo faz...Uns dias talvez, meses, anos?!
A: E eles te mandam cartas?!Tá esperando a carta deles?!
B: Não, não! Eles estão no colo de Nossa Senhora, graças a Deus... Só eu fiquei no inferno.
C: Eu também queria... Ah sim! Morrer! De ontem pra cá já tentei me matar duas vezes, não deixam, me sedam... Nem me matar eu posso... Por isso tô sem roupa. ( na verdade está vestido)
B: Ué! Mas você tá vestido...
C: Tá louca?! arrancaram minhas roupas quando eu tentei me enforcar! Na semana passada!
B: Ainda bem que estou viva... Posso receber as cartas a qualquer momento!
A: Aqui podia ter visitas neh?
C: Verdade! Estou com saudades dos meus meninos...
A: Mas ninguém viria me visitar...Meu marido poderia vir...( fala sozinha) Estrangular... Minhas próprias mãos...
C: Eram dois por mês, um em cada cidade...
B: Seus amigos, primos, irmãos?
C: Namorados oras! Pena que duravam pouco...
A: Você se parece com meu marido...
C: Ah... Violência, sinto falta da violência...Alguém tem uma faca?!
B: Porque?!
C: Agarrá-los à força...Esquartejar, pedacinho por pedacinho... Vocês tinham que ver a cara de prazer deles...Depois?! A lata do lixo!
A: Meu marido... (olha para C) Você?!
C: O ser humano é podre! podre!!!Hipócrita!!! Tenho nojo... Podre!
A: Você parece com o meu marido...

( A enforca C com o escapulário que tem no pescoço. Apagam-se as luzes. Gritos.)
Uma manhã, corpo sobre o divã e nada,
nem um músculo se move
Enfático esse medo sordido de morrer por uma mordida.

A vida passa repassa distrata e acaricia
perdida entre as esquinas invisivéis
impercepitível ou perceptível demais
( não saber o pior incomoda)

Faço trocas por uma poesia engajada
Algo não amorfo
irradiante, purgante, excruciante!
Mas sou órfã de mim mesma
Traída pelo egocentrismo
Escorregadia, pegajosa, encebada por todas as manchas do mal do mundo.

Isole-me em uma camisa de forças antes do veneno consumir
O ódio - me pulsa
O amor - me repulsa
O vem e vai contínuo da minha insatisfação
estatelada sobre as almofadas.

Eu não choraria por mim...

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Um quê de confissão.




No canto esquerdo dos lábios pairava o desejo contido:
Te morder com meu impulso de fêmea - efêmera .
Ninguém sabia ou desconfiava
- Por de trás da aparência dócil
Uma fera havia:
Não suportava tuas escassas visitas.
Consumiria seus sonhos dia a dia.

Toda mulher tem dentro de si uma puta:
De pernas abertas quer abarcar o mundo.
Toda mulher tem dentro de si uma virgem:
Espera amor em demasia.

Minha teimosia me joga pra cima de ti
Te arranha e inebria.

No quarto escuro
A voz pigarreia
Há o medo de não te ter por perto
Cair de joelhos e ser escorraçada.

Debaixo da escada deixei uma violeta
Meu pijama e minha escova de dentes
Dentro da fantasia sou tua escrava.
Vem, escuta, faz de mim mulher em meio a agonia.

Sibilo entre dentes - com você vou em frente
Caso não queira me deixe na beira
A estrada é cheia de aventureiros
Para meus desejos escondidos.

Foto por Kauana R.

domingo, 28 de setembro de 2008

.:. Visceral .:.

Descansa a vontade
Descompasso incessante
Lapsos a perseguir meu ventre
Brandas chamas- o corpo clemente.

Floresço flor de laranjeira
Displicente e calma
Envelheço em rugas sábias
Assobios intempéries.

Labaredas: agonia.
Vícera ventral
A dor de arder constante
- Me corrompe.

Minh'alma cheira éter
Defunta em cinzas
Carvão e romaria

Já não sou Maria
Tão pouco imaculada.

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Hoje a vida me deu um banho!

Os ventos indicavam a vida por vir em raios: luzes rompentes no céu.
Para cada segredo latente passos apressados, peito em descompasso e nada por fora havia:
Via a menina ao relento, sentindo em cada nervo o frêmito dos dias, arrepios longos... Arranhões de bom pressagio ou monotonia.
As árvores brincam, desfazem-se de suas penugens: camuflam as pedras do árduo caminho e protegem os pequenos pés do frio.
O corpo exposto é o mais bonito: cabelos voam, frenesi, os lábios pairam o silêncio, as mãos encontram a reta dos ombros para abarcar o mundo, já não há mais o suor, as olheras das noites mal dormidas se esvaem: tudo é rima e poesia.
Nas entrequadras as cigarras cantarolam a última música, os pés são certeiros, a saia gira junto ao quadril, a primeira gota cai na testa! Na testa, sim senhor! Para refrescar pensamentos, lavar as alienadas visões de mundo e tudo renovar.
A vida podia bater mais vezes minha porta,por gotas grossas e pesadas... A roupa grudou e não quis mais soltar: marcas, as marcas das gotas, das dentadas das águas, dos beslicões ( sentidos), minha jornada teve cheiro de terra. Essa não massacrava, apenas deliciava-se, compadecida por toda miséria humana, mas na chuva não há mediocridade: as torneiras do céu se abrem, matam a sede em goles mornos do ácido da capital branca e fria.
Trovão - instantes delimitam o real e o imaginário ( um dia mudo pro último, fazer uma casa lá.)


--> "ohhh chuva, eu peço que caia devagar... E molhe esse povo de alegria, para nunca mais chorar..."